Infiltração guiada por ultrassom com terapia visco biológica na região do joelho.

Saiba mais sobre Terapia Regenerativa

Como a Terapia Regenerativa vem mudando o tratamento médico pelo Mundo e aqui no Brasil? Seria o fim das cirurgias convencionais?

A Terapia Regenerativa vem a cada dia ganhando mais espaço na medicina moderna. Acredito que em breve ela sairá do isolamento dos campos de pesquisa e dos grandes centros nos EUA e Europa para assumir posição de destaque aqui no Brasil e se tornará uma especialidade médica como tantas outras.

  • O que é Terapia Regenerativa?

Terapia Regenerativa ou Medicina Regenerativa é um segmento da pesquisa médica que busca a substituição de tecidos ou órgãos que foram danificados por alguma doença ou trauma. Células “especiais” ou fatores de crescimento retirados do seu próprio corpo seriam capazes de se transformar em qualquer célula do organismo e assim produzir tecidos diversos.

  • Quais doenças poderiam se beneficiar da Terapia Regenerativa?

Estudos promissores estão em andamento nas áreas mais diversas tais como Cardiologia, Neurologia, Endocrinologia e mais recentemente na Ortopedia. Nesse sentido as pesquisas mostram um avanço positivo nos resultados da melhora fisiológica da função dos tecidos acometidos por degeneração. Doenças como tendinites, ruptura de tendões e até processos degenerativos articulares (artrose), a Terapia Regenerativa tem atuado como potente fator analgésico, além de acelerar os processos de cicatrização nas lesões musculares e fraturas, sendo muito utilizado na recuperação de atletas no Brasil e no Mundo.

A retomada do equilíbrio articular minimizando a ação de fatores de degradação das células da cartilagem é o grande trunfo no tratamento da artrose nos estágios iniciais da doença, antigamente tratados somente com fisioterapia e anti-inflamatórios que em nada mudam a história natural da doença.

  • Essa realidade parece tão distante! Qualquer um pode fazer?

Felizmente não é mais uma realidade distante! É uma possibilidade viável e disponível a qualquer um que tenha a iniciativa de pesquisar por inovações para o seu tratamento. É claro que nem todos os pacientes se beneficiarão deste tratamento, pois dependendo do estágio da doença, à luz dos conhecimentos atuais, pouco pode ser feito. Por isso, quanto mais precoce o diagnóstico da degeneração, maior a probabilidade de reversão do quadro.

Esse procedimento é tão atual que existem inúmeros trabalhos sendo realizados, pesquisas em estágios avançados e vários congressos durante o ano. Esse congresso foi realizado em maio de 2017 no estádio do Barcelona, com aval da FIFA, discutindo justamente a recuperação de atletas tanto por lesões musculotendíneas como de cartilagem com a utilização dessa terapia. É impossível negar esse avanço por mais que tenhamos uma resistência grande da medicina retrógrada e básica no nosso País.

  • Essa Terapia Regenerativa é oferecida pelo SUS?

Infelizmente, a grande maioria dos médicos no Brasil não está a par dessa medicina ou sequer ouviram falar em biotecnologia. Existem poucos serviços públicos no Brasil trabalhando com essa técnica e a maioria concentrados no eixo Rio-São Paulo. Tal fato, associado a pouca complacência de um médico formado em aprender tratamentos novos, faz com que a difusão desta técnica seja mais lenta do que o normal.

  • Existem trabalhos na literatura com esse método?

Hoje temos pelo menos 1000 trabalhos na literatura de Universidades e Institutos em todo o Mundo. Esse trabalho abaixo é um desses, comparando a utilização de fatores de crescimento e ácido hialurônico de forma isolada ou associados para tratamento biológico da artrose de quadril, com nível de evidência 1, isto é, onde há evidência e/ou acordo geral de que um determinado produto é eficaz e útil.

                                                    

A prática clínica mostra resultados bastante animadores com relação a melhora da dor e parâmetros gerais de qualidade de vida.

                                                   

  • E como essa terapia é aplicada no local correto?

Os procedimentos guiados por ultrassom, na minha opinião, são a grande destaque daquilo que chamo de ortopedia moderna. Esqueçam aquela imagem do ortopedista grosseiro e que somente prescreve anti-inflamatórios e fisioterapia ou ¨acertando¨a articulação somente com a palpação. Isso é passado!

Algumas vezes atendo no consultório pacientes que realizaram infiltração com corticoide somente com a palpação (sem o auxílio do Ultrassom) de bursite tanto no quadril quanto no ombro.

A tabela abaixo nos mostra como é possível errar o ponto exato para esse procedimento quando realizado somente pela palpação.Percentual de acerto das infiltrações realizadas por palpação e guiadas por ultrassom.

Aplicar corticoide no tendão ao invés da bursa(bursite) pode enfraquecer esse tendão predispondo a ruptura, e nos casos de tendões já rompidos pode levar a uma dificuldade de cicatrização, mesmo após cirurgia, com elevados índices de re-rupturas. Por isso hoje, o Ultrassom é um aliado muito importante tanto para diagnóstico como para o tratamento.

 

Infiltração guiada por ultrassom com terapia visco biológica na região do joelho.

Para concluir, gostaria de dizer que protocolos específicos para as diversas doenças e estudos com metodologia consistente e reprodutível estão sendo preparados para que aquilo que observamos clinicamente nos pacientes possa ser adotado por um número maior de profissionais e beneficiar cada vez mais pacientes que estavam órfãos de opções viáveis e pouco invasivas para suas lesões tendíneas ou processos degenerativos articulares.

Acredito que a medicina regenerativa vem a somar no tratamento das lesões degenerativas articulares ou músculo tendíneas como uma opção preservadora biológica preenchendo a grande lacuna que existia entre fisioterapia/anti-inflamatório/aguardar e uma cirurgia de prótese. ¨ O que é cirúrgico não vai deixar de ser cirúrgico¨. Só acredito que essa indicação será cada vez mais criteriosa e se possível protelada de forma biológica e com qualidade de vida.

 

 

O que deseja encontrar?

Compartilhe

Share on facebook
Share on linkedin
Share on google
Share on twitter
Share on email
Share on whatsapp